terça-feira, 24 de junho de 2014

Espaço Sagrado



Quando morava sozinha sentia falta da solidão da casa quando morava com meus pais. Agora ela está por todos os cantos. Coloco Jorge Drexler pra preencher todo o ambiente, sua música me lembra algo íntimo, doce, sutil, assim como a intimidade que tenho com a casa vazia. Nos primeiros dias que voltei pra casa pequenas arrumações me animavam, limpava a casa como quem limpa a própria alma, mas continuo a mesma. Estou cansando dessa simples rotina, que na verdade é muito complicada. Há tantos detalhes: o pó dos móveis, a poeira do chão, as manchas a umidade, a dispensa, os roupeiros, a geladeira, os banheiros, os cantos esquecidos que precisam ser limpos, a segunda gaveta da cozinha com os talheres maiores, a areia da gata, as plantas...tudo isso e as pessoas descansam na frente da televisão. Para mim todo espaço é sagrado e deve conter partes nossas em forma de energia. 
Já fiz limpeza energética na casa com palo santo (muito bom por sinal), sal amargo e confeccionei um filtro dos sonhos para sala. Na verdade tentei colocar pedaços de mim espalhado pela casa, porque me sinto deslocada, porque tenho que respeitar meu próprio espaço sagrado.

domingo, 4 de maio de 2014

«...Eu bem suspeitava que um dia me havias de aparecer.
Esperava-te com uma paciência sem limites, calma.
Devora-me.
Deforma-me à tua imagem, a fim de que nenhum outro,
depois de ti, compreenda a razão de tanto desejo.
Vamos ficar sós, meu amor.
A noite não acabará.
O dia não voltará a romper para ninguém.
Jamais. Nunca mais. Por fim.
Matas-me. Fazes-me bem.
Choraremos conscienciosamente
e com boa vontade o dia defunto.
Nada mais teremos a fazer senão chorar o dia defunto.
O tempo passará. Apenas o tempo.
E mais tempo há-de vir.
O tempo virá em que não saberemos
que nome dar ao que nos unirá.
O nome apagar-se-á a pouco e pouco da nossa memória.
Depois desaparecerá por completo.»


Hiroshima, Meu Amor - por Alain Resnais

domingo, 6 de abril de 2014

Depois de todo esse tempo sem escrever continuo sem muito o que dizer. Os dias tem passados de uma maneira estranha, muitas coisas na minha rotina mudaram, mas aconteceu algo interno que não sou capaz de explicar. Sinto como se não fizesse parte do que ando vivendo, como se fosse mais uma peça dessa engrenagem louca chamada sociedade. Costumava ser a parte que tratava tudo, mas agora sou apenas um pedaço que funciona.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

La vida es tediosa pero tiene su gracia

Todos os meus trabalhos foram em grande parte tediosos, eu mesma me intitulo a rainha do tédio por isso. Meu primeiro emprego foi meio período em um museu quando estava no ensino médio, aos domingos chegava a pensar que a cidade inteira tinha morrido e só havia restado eu. Me sobrava muito tempo pra ler, então eu lia os guias turísticos, tentei aprender algumas palavras en español e assim tentava sobreviver ao tédio. Depois virei funcionária pública, só que até chegar a minha rotina tediosa eu passei alguns perrengues (muitos ônibus, chuva, acidentes, medo, insegurança), mas  no trabalho era a mesma coisa, sem muitas surpresas, assim consegui fazer duas faculdades. Muitos me diziam que era uma maravilha não ter muito o que fazer, eu me sentia uma completa inútil como eu me sinto agora. Nesses momentos ociosos no trabalho apesar do meu esforço tentando encontrar algo o que fazer, eu conheci muita música boa, li bastante coisa, baixei muitos filmes e a maior parte do que eu escrevo no blog foram no período do trabalho. Esse ano se não fosse o yoga, o flamenco, o espanhol e o inglês não sei se aguentaria todos os dias "trabalhando" 40 horas por semana. Tenho meditado muito pouco, mas mereço um pouco de consideração por esse silêncio tortuoso que tenho passado, além das rotineiras humilhações e das conversas medíocres que acabo ouvindo. Graças a esse trabalho paguei muita coisa que me faz bem e fiz alguns cursos. Mas continuo o mesma pessoa inconstante de sempre, que tenta cada vez mais abandonar a passividade da personalidade e selecionar o que realmente lhe acrescenta alguma coisa na vida; não quero ser de modo algum mal agradecida, respeito as pessoas da maneira que são, mas ouvi muito lixo esse ano, recebi muita energia ruim e aprendi com isso. Se não fosse as pessoas incríveis que eu conheci que muito me inspiraram, já havia desistido muito tempo.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

I could just pretend that you love me
The night would lose all sense of fear
but why do I need you to love me
when you can't hold what I hold dear...




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cerrar los Ojos

Cerremos estes ojos para entrar al misterio
el que acude con gozos y desdichas
así / en esta noche provocada
crearemos por fin nuestras proprias estrellas
y nuestra hermosa colección de sueños
el pobre mundo seguirá rodando
lejos de nuestros párpados caídos
habrá hurtos abusos fechorías
o sea el espantoso ritmo de las cosas
allá en la calle seguirán los mismos
escaparates de las tentaciones
ah pero nuestros ojos tapados piensan sienten
lo que no pensaron ni sientiron antes
si pasado mañana los abrimos
el corazón acaso de encabrite
así hasta que los párpados
se nos caigan de nuevo
y volvamos al pacto de lo oscuro

Mario Benedetti

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Não sei se há mais maneiras de se ter esperança que a paciência, talvez o esquecimento. Tenho dito pra mim mesma que o otimista só sofre uma vez. Mas hoje eu lembrei de muita coisa e tive vontade de desistir. Paciência ou esquecimento podem resolver esse caso. 


 Laguna - SC