sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Querido, por não vem logo me buscar?
Olho para minhas mãos como quem procura palavras.
Mas o que é necessário verbalizar quando se tem desejo?
Tenho passado dias a contar, com a esperança em meus olhos cansados.
Que o amor se aconchegue logo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Deep inside of me

Tenho tentado me manter em silêncio, como se meditasse a todo o momento ao ponto que as palavras não sejam mais necessárias. Falar não revela do que realmente você é feito só te diz que você está naquele lugar, mas sua presença não te faz uma pessoa importante, pois quando se tem algo pra dizer nunca é o bastante. Os diálogos se acumulam e no final do dia não há soluções; os sentimentos se misturam a palavras que fixam na sua mente, depois passam para o teu corpo, e as memórias nem sempre são boas. As coisas não ditas causam uma impressão insustentável, as inúmeras possibilidades que se formam em um olhar tornam as respostas ilimitadas. Há um fluxo interminável de sensações, mesmo quando enganados por nossos pensamentos o que evitamos pensar só passa despercebido se queremos, mas depois de algum tempo ainda está lá, e esquecer não é questão de tempo. E paciência é produto de desespero calado. O silêncio tem me mostrado que não consigo ficar calada, talvez por alguns instantes, mas o ego sempre tem algo a dizer, nem que seja só pra machucar. O silêncio está em todo lugar, esperando pra ser apreciado, ele é vazio de palavras, mas pleno de sabedoria, sabedoria essa insuportável para nossas mentes tão inquietas. Freud descobriu que podemos esconder o que não desejamos falar em um lugar misterioso chamado inconsciente e lá não há silêncio, aliás, o silêncio é a morada da inconsciência. Se tentar permanecer em silêncio não é o fato de reprimir algo, a apreensão é um modo de conhecimento interior, mas é tarefa árdua, como se o silêncio fosse a própria omissão, uma negativa, pois não é assim, silêncio é aceitar, você expande sua mente. Quando falamos, muitas vezes isso é resultado de experiência anterior, o que o outro nos diz agora não muda em nada nossas opiniões, o que queremos é dizer que entendemos o assunto, e para mim o silêncio é uma forma de transformação. Estamos sempre tão ausentes nas conversas, mesmos quando falamos que silenciar é uma forma de respeito. E por respeito a mim mesma, prefiro ficar em silêncio. Observe-me e me encontrarás entre as linhas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quando chegar não é o suficiente e ter é começar. Não havia nada a dizer que tornasse as situações tangíveis, nem caminho a percorrer que encerrasse os pensamentos cercados de dúvida. O que ficava claro confundia, compreender era perde-se. Retratos são ilusões em seu mundo, a verdade apenas uma porta onde só se passa uma vez. E as emoções se acumulavam, não se dissolviam em lágrimas, transbordavam e se espalhavam por toda a sua consciência.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Blue

Não é nada sobre a morte. Em um mundo de sensações a morte só seria o encerramento, vibraria em frequências inaudíveis. Há um vazio em si que era azul, dentro do azul. Um vazio com paredes. Olhar para o horizonte bastaria por um momento, imenso, intocável. Esperando por mim como o horizonte. Tremendo como uma lua na água.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Toda semana é uma metamorfose

A morte me pareceu como uma menina de cabelos compridos e cacheados que com o andar decidido comecei a seguir. Não sei porque pensei na morte na caminhada até a rodoviária, mas havia uma sensação que me perseguia por esses tempos que andava sozinha, e eu chamava de atração. Essa atração pude perceber nos noticiários, pessoas mortas a cada segundo enquanto cumpriam sua rotina; a morte as rodeava e elas a atraiam. No universo as coisas acontecem e ninguém tenta explicá-las. Há um curso natural em tudo que acontece? O que se repete não comprova nada. Ultimamente tenho seguido o curso da minha vida e pouco sentido encontro. Tenho procurado desconstruir pra coexistir. Prateleiras de supermercado não me dizem nada, vitrines me cegam, tudo que me cerca me causa vertigem, mal estar social. E não sei se fico do lado dos intelectuais com verdades que só se aplicam a eles ou ao lado dos ignorantes que apenas sobrevivem. Sinto falta da infância, da inocência, do descobrir o mundo com fervor. Construí labirintos os quais me perdi, agora sento como se sustentasse meu próprio ego. Deito como se meus pensamentos corressem como um rio. E havia tantas coisas que não sabia dizer. Era só questão de suspirar da janela do ônibus, enquanto as coisas passavam correndo do seu lado, quase que perdendo a forma, principalmente se for noite e todos os carros com os faróis acessos, você fecha os olhos e abre rapidamente (que sensação!). Ao abrir os olhos só vejo faces cansadas a dar de ombros para a maravilha das formas. E nas minhas formas sempre havia uma ponte, ela ficava ali quando era preciso pensar um pouco na morte. A profundidade do mar, o mistério, a calma. E o que eu mais queria era me apegar a algo que compreendesse todas as minhas metamorfoses.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E o que eu vou fazer com todas essas lembranças?

domingo, 9 de outubro de 2011

Passou os dedos pelos fios azulados de seus cabelos que teimavam a ficar tão adequados ao formato daquela cabeça tão pensante. Seu coração pedia mais, pedia o que não sabia, pedia sem pedir saber, apenas pedia, e dava pra sentir isso no seu suspiro cansado. Tocava o que via pela frente, distraía-se, enquanto o que mais precisava era de amor. Não amor de homem e mulher; era um desejo hermético de amor. Ela lhe falava coisas irrelevantes, sua natureza mística acaba por se misturar as conversas sobre a loucura. Havia um medo ali, o medo da loucura diante da loucura dos outros. A loucura de acreditar no que fosse, mas entregar-se a isso sem medo. Não era próprio dos dois. Não obstante afundarão as cucas nos livros a ler histórias que nunca contarão; nas músicas que falam de amores que não são seus; nas meditações em estados de espírito que não conquistaram, e em tudo que for resultado de boas experiências (arriscar-se). Se ela pudesse arrancaria as duas almas, lavaria muito bem, a esfregar bem o medo pra que fosse todo pro ralo, e depois colocaria-as bem estendidas no varal. Escorreria todo o desabor que se esconde nas entranhas, os resquícios de solidão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Voltando para dentro de mim.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011




Yeah I feel low
Oh no

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Repetir "Desencanto" a noite inteira não me faz aproximar daquilo que achei que era amor. E descuidada deixei escorrer pelas mãos como água os amores que teria. E agora pouco me resta em que confiar. Passar os dias a contar as gotas de chuva e as lágrimas, transcorrendo em mim.

Me sentia segura quando nas pontas dos pés ia até teu quarto e observava-o dormir serenamente. Deitava minha cabeça em teu peito e acompanhava sua respiração. Sorria no escuro, enquanto sentia as linhas do teu corpo. Me balançava feito criança para penetrar seu sonho e compartilhar teu gosto onírico. Você me fez falta antes de partir. Você doía muito. Doía como parte de mim, parte de mim que eu podia perder. Ou quando olhávamos longamente um no olho do outro nos perdendo por memórias desconhecidas, quando sentia o gosto do teu pensamento, quando o amor era delicioso e telepático. Mas era em teus lábios que encontrava o êxtase. Primeiro tocava suas mãos, era um estímulo, um sinal químico, depois escorregava invertidamente pelo teu braço a ponto que meus dedos roçassem seu cabelo; e logo você tocava em minha cintura e me aproximava involuntariamente. Movidos por uma energia estranha, com minhas mãos desenhava seu rosto, colorindo sua boca, era real, aquilo era real, mas difícil de acreditar; minha mão tocava sua boca como se fosse a porta do paraíso, invadi-la parecia violar algo divino.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Immature

Suportar. Sentir desse modo; imaturo. Um pedaço de mim. Tão imatura. Só procurei direções. Mas me sinto tão imatura. Como sustentar a leveza? Luz. Como pude ser tão imatura? Tempo nublado. Sons de chuva. Carros passando. Elementos em mim. O ar frio na face. Corrida. Quanto mais rápido consegue pensar? I M M A T U R E. Falta sentido. A falta de foco da noite. Sentir. Sentindo o tempo desfocado. O corpo meio flutuante. Tão imatura. Como posso ser tão imatura?
Pensar em amor em tempos de correria.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sentada naquela sala olhando para um estranho conhecido, balbuciando coisas tão conscientes, celebrando mais uma de suas histórias (estórias), a vida se delineava em cada traço do seu sorriso. Memórias passeavam pela expressão do seu rosto, arcando as sobrancelhas, mexendo nos cabelos, tocando no nariz, cruzando as pernas, balançando o corpo, franzindo o cenho ou quem sabe algo muito particular quando girava o dedo sobre a unha, como se de lá emanasse uma energia nervosa, mas pensante. Pensar com o corpo, observando, dançando nas entrelinhas do que é dito inconscientemente. E aquela coisa surreal, aqueles pensamentos desnecessários, continuavam a brotar esporicamente a cada segunda, a cada respiração. Ar.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tudo passa pelo corpo

O corpo vai criando memórias ocultas, basta sorrir quando menos se espera, tocar nos cabelos ou mesmo fechar os olhos e se perguntar: já acabou? O corpo espera. Tanto pelo começo quanto pelo fim. O corpo é completo. O corpo diz aquilo que não podemos falar, e ainda assim nos apegamos as palavras. Mas como falar de corpo sem palavras? Aliás escrever sobre corpo torna a palavra corporal, ela não tem sentido e sim formas imagináveis. Quando pensamos no beijo, esboçamos em nossa mente as bocas em uma união perfeita que ao movimento da respiração torna-se sublime. Pois é isso mesmo, corpo é movimento. Até o corpo parado possui movimento. O coração que pulsa, o piscar de olhos, o ar que passeia por cada pulmão. O corpo também sofre. Sofre o peso das nossas decisões, da nossa tensão, enquanto estamos preocupados uma infinidade de músculos se contraem expressando nossos anseios. Ou mesmo relaxam, quando satisfeitos ou descontraídos. O amor passa pelo corpo, a culpa, a raiva, o ressentimento, a frustração, a alegria, o prazer. Sentimentos se misturam a gestos, que passeiam por nossos membros e nos fazem arrepiar, tremer, gemer, adormecer, vibrar. Sons interagem com nosso corpo, com os nossos sentidos. Aromas, cores, sabores, luz e frequencias, para sentirmos, tudo passa antes pelo corpo...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com u te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"A vida carrega tanto significado quanto você carrega a capacidade de se surpreender, de se maravilhar. Assim, permaneça sempre aberto. Lembre-se repetidamente de que a vida é infinita. Cada momento lança você de volta à sua origem, cada momento faz de você novamente uma criança." (OSHO)

domingo, 12 de junho de 2011

_ Te cuida! (dissera ele)


e eu ouvi como se fosse um:


_ Te amo!


Martha Medeiros

terça-feira, 31 de maio de 2011

Cheiro, textura, cor e movimento

Já fiz tudo para chamar atenção. Revirei o báu de lembranças, toquei melodias sem partituras, segurei firme em minhas mãos as sensações que não podiam mais ser tocadas. Quando percebi estava em lugares jamais imaginados que me ensinaram a loucura que é a procura. A ausência me fez buscar tantas coisas que nada a substitui. A ausência me preencheu com música, livros, cartas, vinho, filosofias que não servem pra nada. E pode passar quanto tempo for, enquanto aquele desejo de obter algo que possa ter em mãos ainda persistir nos meus sonhos mais lúcidos, mais queridos, nada fará que eu desista de procurar. E o mais interessante dessas coisas que anseio é o mistério de não obtê-las. Tenho um medo terrível que as coisas que desejo se tornem tangíveis. Uma coisa infantil que existe dentro de mim que sonha alto e por lá quer ficar, nos céus. Essa falta deve servir pra alguma coisa, esse medo de acontecer deve ser algum sinal. Acho que já é hora cumprir a travessia, chegar do outro lado da margem do rio que transborda em mim, sem medo da sua profundidade, da violências das suas águas ou do seu silêncio meditativo. Se expandir como o universo cálido.
Entregar-me as incertezas dos caminhos e ser o que sou. Somente ser.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

"E como é difícil ser expontâneo", repetia para si mesmo. Andava meio atrapalhado por aqueles dias, parecia que tudo que estava estável, quieto e tranqüilo havia se dissipado enquanto observava as pessoas pela janela do ônibus. Pensava: "de repente nos vemos parte do mundo, mas não como participante, mas como observadores, e logo não vejo sentido na vida, não que ela não tenha sentido como muitos afirmam, e sim que ela tem um sentido o qual não estou refletindo, o qual não estou vivendo". Era assim que se sentia naquele momento, fazia as coisas porque tinha que fazer, jurava que fazia o que queria já que tinha livre arbítrio, mas sempre tinha que pensar em uma forma de ganhar dinheiro, credibilidade e confiança.

Olhando por este ângulo não se sentia livre, pois por mais que sua mente já tivesse se desapegado a muitas idéias que nada acrescentavam sua busca pela liberdade, ainda sim a palavra liberdade só tinha um significado bonito no dicionário, pois na vida a liberdade tinha muitas faces. Escolher o que comer, o que vestir, o que falar, como andar, como sorrir, o que escrever, que ônibus pegar, que livro ler, que caminho escolher, em que cadeira sentar, que esporte praticar, que música ouvir, que perfume usar, que pessoas conhecer, que lugares viajar, o que comprar, etc., a infinidade de coisas que compõe o nosso universo pessoal, tudo isso temos livre acesso. Livre acesso? Se pensarmos por um lado temos livre acesso porque todas as coisas que estão no mundo logo pertencem a nós, já que não tem nenhuma lei que diga que não podemos pisar na terra, respirar o ar, sentir o vento, tocar na água, enfim viver a complexidade do nosso sistema. Mas tudo o que foi dito anteriormente não depende do que foi dito posteriormente. Nem tudo que há no mundo nos pertence. Então ai entra a tal da liberdade que eu falei anteriormente ao anteriormente do posteriormente já citado.

O nosso pensador do começo do texto nos diz: " logo quando penso em sentido, penso em liberdade, liberdade é um sentimento, um ato, é algo prazeroso, algo como "não quero fazer isso hoje" e não fazer, mas isso não é o suficiente quando penso na sua significância". Mas procede: "hoje quando estava olhando as coisas ao meu redor pela janela do ônibus, resolvi colocar em prática tudo o que vivia pensando, aliás penso muito e faço pouco, enfim, olhei para o céu explêndido da tarde e o silêncio que emanava daquela imensidão azul foi sendo refletido no meu espírito. Achei muito doida tal situação: imaginei o caos do mundo, a primeira coisa que pensei foi nas crianças passando fome, não gosto de ver crianças sofrendo, acho que não são responsáveis por tudo que lhes acontece, simplesmente não suporto a idéia de vê-las sofrendo, e ao mesmo tempo pensei na paz que havia no céu, as duas realidades vivem se tocando, a vida terrestre tão pertubada e o céu tão sereno. Achei aquela situação incrível e extremamente simples. E por fim minha alma ficou feliz. E decidi tentar me alegrar sempre apesar de todas as coisas que estão para acontecer, que aconteceram ou não aconteceram e acabam por enfraquecer nossa alma, nos deixarmos mais tímidos diante do mundo ou mesmo deprimidos."

Nós temos liberdade para sermos, não é a toa que temos médicos, professores, enfermeiros, geneticistas, programadores de jogos, dançarinos, advogados, padres, freiras, hippies, profissionais do sexo, restauradores, garçons, artistas plásticos, músicos, jogadores de futebol, pedreiros, carpinteiros, cientistas...mas o que nos leva a escolher o que ser, pois este ser...depende de eu não continuar esse texto e tentar conceituar tudo o que escrevo. Pois para escrever deveríamos ter muita liberdade, principalmente a de não sermos coerentes. Coerência é algo que também não pretendo conceituar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.


Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.


Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.


Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanecedepois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.


Afinidade é sentir com, nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.


Sentir com é não ter necessidade de explicaro que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.


Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.


Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.


Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.


Arthur da Távola

sexta-feira, 29 de abril de 2011

"Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e sonho, como a vida de todos os homens que não querem mentir a si mesmo." (Hermann Hersse - Demian)

domingo, 17 de abril de 2011

Moço coloca sua mão sobre o meu peito e sente o meu coração. Olha nos meus olhos e vê o que não tem mais. Me pega pela mão e me leva para ver outras manhãs. Não sou mais o que você vê. Que pena, agora nem sinto mais dor. Sou aquela jabuticaba caída na grama verdinha da sua casa, minha morada, mobília velha e gasta, bichinhos engraçados que passam no rosto da moça da TV. Vestidos de noiva, hoje já é sexta-feira, noite fervendo, mais um dia só. Acredito no amor das cerejas, são sempre duas em um ramo bifurcado. Tudo feito pra ficar junto. Já deixei de fazer sentido há muito tempo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Rumo diferente


L E V E Z A


Não há palavra que se aplique melhor ao que estou sentido.

Necessito da leveza em meu cotidiano. Quero tudo muito leve, sutil, e ao mesmo tempo expansivo e expressivo.

Assim como o sangue que corre nas veias, que a vida seja sanguínea!

O coração é um órgão que quase nunca falha ao bater.

Pulsa!

o tempo todo.

Não importa se na dor ou na felicidade.

Não para.

Ele simplesmente pulsa.

E pulsar não tem sentimento.

terça-feira, 8 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ir

sem necessidade de saber o lugar

de voltar

simplesmente ir

fazer do verbo ação

não pensamento.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Soprando sonhos

Acordar domingo pela manhã quando no final de semana o caos assumiu vida própria é um pouco difícil. O tédio se espalhou pela casa e o tédio era eu. Fiquei mal, me senti tão sozinha, o que me restou foi dormir. Mas dormir cansa, e tristeza demais também. Precisava desabar mas não tinha ninguém e o problema era que não sabia desabar, e essa foi a conversa que tive com um amigo, um querido amigo, o Gustavo, que me deu um ombro amigo pela janelinha do msn. Obrigada querido e amado amigo!

Os dias em Lagunas estão sendo tristes e não há um motivo em especial. Talvez seja o fato de estar muito sozinha e não me esforçar para buscar companhia. E por um momento de lucidez parei para pensar no que minha vida se transformou. Por que uma coisa é você ficar triste, outra é você parar pra pensar, e parar mesmo e se perguntar: "O que tenho sido?". Tenho guardado muitas mágoas por esses tempos e levado a vida tão a sério, que acabei assim. Conseguir transformar o que sinto em uma realidade mutável é o que tanto quero. Isso está me cansando.

Laguna está cinza e eu também.


by Alexandre Brandl


Admito que esse domingo combinou perfeitamente com o meu humor. O dia frio e chuvoso acabou me dando uma idéia, aliás quem me deu a idéia foi a Lolla do blog Hello Lolla, lá tem tantas coisas adoráveis, e hoje fui fazer uma visitinha rápida e encontrei uma receita de um bolinho de limão com iogurte, foi então que resolvi me aventurar pela cozinha: coloquei Joe Hisaishi no som e tive uma tarde agradável. Fiz o bolo com algumas alterações, como não tinha mirtilos e framboesas no mercado, coloquei cereja no bolo, e foi aprovado pela família, menos o lemon curd que tentei fazer pra colocar no bolo e servir de acompanhamento também, ficou muito ácido. Mas farei de novo o bolinho e postarei aqui com fotos.


Aproveitando os bons ventos que decidiram soprar nesses dias tão estranhos e solitários, assisti a uma apresentação fantástica promovida pelo SESC aqui de Laguna que vale a pena deixar registrado. A apresentação musical tinha como compositor o músico Felipe Coelho no violão de 7 cordas, Elias Vicente e Tales Custódio no violino, Marcos Origuella na viola, e, Frederico Malverde no violoncelo. O CD "Cata vento", o qual comprei, tem influência do jazz, da música oriental e espanhola (ambas gosto muito) e da música contemporânea brasileira, que lembram trilha sonora de filme, aliás quando estava assistindo lembrei muito do compositor japonês Joe Hisaishi, cuja música faz lembrar paisagens incríveis. Como se estivesse viajando em um trem por regiões montanhosas, vastos campos, etc.
M a r a v i l h o s o!




Há um tempo atrás em uma visita aos meus tios em Joinville, comprei um CD bem bacana, que costumo escutar quando decido cozinhar ou criar um clima especial.
É o "Half the perfect world" da Madeleine Peyroux.
Com o clima da música "La Javanaise" espero começar mais uma semana bem.

La Javanaise

"La vie ne vaut d'etre vécue sans amour - A vida não vale a pena ser vivida sem amor"


Uma ótima semana pra quem passar por aqui!

sábado, 26 de fevereiro de 2011


Lordy don't leave me
All by myself
Good time's the devil
I'm a force of heaven
Lordy don't leave me
All by myself
So many time's I'm down
Down down
With the ground
Lordy don't leave me
All by myself
Whoa, in this world
Lordy don't leave me
All by myself

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quando decidi fazer filosofia pela por não saber mais o que cursar achei que todos os meus problemas estariam resolvidos. Conheceria gente nova, que pensaria diferente e que gostaria de filosofia como eu. Não foi bem assim. Então quando pensei em me mudar de cidade achei que todos os meus problemas estariam resolvidos. Conheceria gente nova, moraria em uma cidade maior e faria coisas que gostaria e que não tem aqui. Não foi bem assim. Então quando decidi que filosofia ia ficar pra mais tarde e que morar em outra cidade não iria satisfazer meus desejos e meu bolso, resolvi ficar na mesma cidade e percorrer um caminho totalmente diferente do que imaginava para mim. Comecei um curso de tecnologia que por ser só dois anos e meio e novo, coloquei muitas expectativas. Depois no meio do caminho comecei outro curso, que por ser a distância conseguiria conciliar os dois cursos e futuramente teria duas opções. Está sendo bem assim. Continuo nesse caminho que me abriu outros caminhos, uma coisa foi me levando a outra, acho que por isso dificilmente recuso o que me aparece pela frente. Abandonei minha religião, comecei outra doutrina, abandonei essa doutrina, e logo começarei outra, se é religião ou doutrina, isso já não tem importância. Costumo colocar nomes nas coisas para tentar explicá-las, mas acho que isso só tem destruído a essência delas. Pois gostaria de me ver livre de tudo isso que até agora criei para mim: as faculdades, as músicas que gosto, os livros que li, as pessoas que conheço, a família, as coisa que eu acredito e admiro. Tudo isso não faz sentido se é pra se esconder ou tentar ser algo a mais com certas singularidades. Não tem nada de autêntico nisso, só uma palavra resume: fuga!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ritmo e consciência

Atraída pelas diferentes formas de exploração interior, como técnicas de respiração, utilização de cores na harmonização do organismo, meditação, dança, yoga, tai chi chuan, lian gong, entre muitas outras que só ouvi falar o nome, que é o caso da Taketina, descobri o quanto a percussão tem influência sobre o meu estado de espírito. Exemplo dessa influência está na prática xamânica:

"Os instrumentos de percussão servem para despertar a emoção e a conscientização interior. As práticas xamanistas usam o tambor para alterar o estado de consciência e levar ao transe espiritual. Os fieis se concentram no ritmo e acompanham a batida como se fizessem uma viagem mítica interior, buscando alcançar níveis de consciência que em geral são inacessíveis. No xamanismo, o tambor estabelece um tipo de ponte que leva o xamã a entrar em contato com um estado mágico de consciência."
A evolução de cada batida te leva a um estado diferente do interior, há um despertar a cada fase da sua consciência, como se aos poucos você fosse libertando algo, sem necessidade de meditação ou ritmos lento, pelo contrário compassos fortes e vibrantes.

"Os ritmos estimulam a energia física. A percussão pode ser um meio de aumentar o fluxo sanguíneo do corpo, acelerar ou diminuir o batimento cardíaco e afetar os órgãos ligados ao coração."

Somos influenciados pela energia ao nosso redor, pois somos um sistema energético.

"Nossos pensamentos e emoções levam a várias freqüências de estímulos eletromagnéticos que interagem com os bioquímicos."

"Se estivermos num ambiente onde as emoções e os pensamentos negativos predominarem - venham ou não de nós - essas vibrações irão se impor ao campo energético pessoal de todos, levando uns a entrarem em sintonia com os outros. Se ignorados ou se acumulados, desvirtuam o fluxo básico da vida tornando o homem mais suscetível às doenças. As energias negativas em geral se armazenam no corpo etéreo (o campo energético eletromagnético mais próximo ao corpo) e nos chakras. Se não houver uma limpeza permanente desses resíduos energéticos negativos e estáticos, toda a energia do organismo físico vai se contaminar."

Sem me aprofundar no assunto que não domino, mas acreditando que as energias que fluem para dentro e para fora do organismo influenciam significativamente nossos estados anímicos, na voz de Lori Cotler e nas batidas de Glen Velez poderão encontrar um pouco do que disse anteriormente.

Vídeo: Drum Language
Referência: Princípio sagrado do ritmo. http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1191194884It002

domingo, 30 de janeiro de 2011

Toda mulher é um labirinto

Há dias venho pensando em como as mulheres agem com os homens no âmbito amoroso. Tenho observado que não estão satisfeitas em momento algum e quando estão não parece sincero. Qualquer mulher tem um potencial incrível para ter o que realmente deseja, mas estão limitadas pelas ações dos homens. Pode parecer feminista ou sei lá o que se encaixa melhor nessa opinião, pois acredito que os homens são limitados sim, não os vejo tentar fazer uma mulher feliz, e se tentam é porque juntam fragmentos de desejos que a mulher deixa no ar. O mais importante não está nas reclamações, nas conversas sobre o que se é ou o que se quer, a mulher não é o que aparenta. Ela tem que se adaptar a uma realidade que logo a cansará a ponto de não querer homem algum. O femino tem muitas responsabilidades, enquanto o homem tem o poder da iniciativa a mulher tem o da entrega. O masculino tem muitos desafios, um deles e talvez o mais revelador que é o de encarar o labirinto que é toda mulher. Ela não tem motivo para se mostrar, sua energia consiste em ser explorada de modo selvagem e sutil. Ao contrário do homem, pois sua energia muitas vezes representada pelo fogo, pelo calor, necessita dominar, ela que é a exploradora. A questão onde gostaria de chegar é no fato que ambos se completam, masculino e feminino, mas venho observado a constante desordem desses símbolos nos relacionamentos. É necessário pensar que a insatisfação com o outro seja um momento de reflexão, não aquele que temos que ver quem ou quando alguém errou, mas uma oportunidade para sermos criativos diante das adversidades de um relacionamento. Gostaria de ver os casais irem um pouco mais longe do que costumam ir, que mergulhassem no mistério que emana do outro, conhecer o outro como se fosse a primeira pessoa que visse no mundo. Quase tudo que vemos pela primeira vez desperta um interesse incomum e sensações únicas. Todo tipo de relação poderia ser assim, sem qualquer influência externa ou interna. Desse modo haveria uma nova dimensão diante do outro que talvez fosse o suficiente para amar sem condições. Porque estamos cheios de preconceitos, conceitos, estamos condicionados com aquilo que nos é dados todo dia. Este é outro ponto que venho pensado a dias. Fui moldada de acordo com a minha realidade, regras, comportamentos, até minha maneira de pensar de modo algum é autêntica. Esquecer do que construiu pra si, olhar as pessoas como elas são, olhar com liberdade, é enlouquecedor. Da mesma forma que acredito que toda a mulher é um labirinto, e que isso é de enlouquecer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E quando você se machuca
com suas próprias mentiras
Apenas toque

E todos dias em que a altura máxima de um velho prédio
se misturar a liberdade e suicídio
Apenas conte

E quando três minutos parecerem segundos
soltar os cabelos, tocar a nuca
Apenas sonhe

E sempre que as semanas se tornarem repetitivas
sentar, respirar
Apenas sinta

E nas madrugadas solitárias
escrever, escutar boa música
Apenas absorva

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Passou os dedos pelos fios azulados de seus cabelos que teimavam a ficar tão adequados ao formato daquela cabeça tão pensante. Seu coração pedia mais, pedia o que não sabia, pedia sem pedir saber, apenas pedia, e dava pra sentir isso no seu suspiro cansado. Tocava o que via pela frente, distraía-se, enquanto o que mais precisava era de amor. Não amor de homem e mulher; era um desejo hermético de amor. Ela lhe falava coisas irrelevantes, sua natureza mística acaba por se misturar as conversas sobre a loucura. Havia um medo ali, o medo da loucura diante da loucura dos outros. A loucura de acreditar no que fosse, mas entregar-se a isso sem medo. Não era próprio dos dois. Não obstante afundarão as cucas nos livros a ler histórias que nunca contarão; nas músicas que falam de amores que não são seus; nas meditações em estados de espírito que não conquistaram, e em tudo que for resultado de boas experiências (arriscar-se). Se ela pudesse arrancaria as duas almas, lavaria muito bem, a esfregar bem o medo pra que fosse todo pro ralo, e depois colocaria-as bem estendidas no varal. Escorreria todo o desabor que se esconde nas entranhas, os resquícios de solidão.


sábado, 22 de janeiro de 2011

"É, morena, tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola

Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar."

Marcelo Camelo

sábado, 8 de janeiro de 2011

É preciso Viajar!


"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amyr Klink)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Grandes garotas são as melhores

Longe de casa. 6:10 a.m. O espelho nessa hora parece o seu inimigo. Seu corpo já pede por uma pequena dose de nicotina enquanto o café está sendo feito. Se pudesse injetaria. "Nicotina injetável foi algo que nunca havia pensado". Devaneou ela. Talvez a nicotina já tenha afetado significativamente alguma área de seu cérebro. Pouca importa pensar. Ela sente. Oh, garoto! Você não resistiria a um sorriso seu, doce e insano. Grande garota! E quem se preocupa se está quente ou frio? Seu decote regula a temperatura. Mas ela é política, ilógica e espiritual. Não se pode ver com esses olhos que tens. Cada sensação, não com esses olhos. Ela é garota dos seus sonhos, mas você não pode tê-la. Isso pode ser excitante se você gosta um pouco de filosofia. Como pode ser tão sexy? O corpo humano nunca havia sido tão interessante e o mais incrível, ele não precisa de palavras. Ela sente o que pensa enquanto senta nervosa. "Os homens nunca são gentis". Gentis sobre ela. Talvez a falta de estudo seja o motivo, talvez seus decotes, talvez seu salário mínimo, talvez a sua falta de preocupação. Mas talvez atrapalha. Poderia ser a distância. 1004 Km. Você podia sentir junto. Liberdade quando tudo estava ali dentro do coração.