A caixa de Pandora estava aberta
e ela tentava punir os homens
da sua mediocridade
E por que pensar que ela queria algo além de sexo?
Nua em seu Éden
E aquele sonho judeu
a mulher com seu kipá
agora entendo o que queria dizer
porque não vejo Deus
quanto estou dentro de você
E nos olhos dela
tinha muito do que não podia suportar
Coisas insanas lhe passaram pela mente
e todo dia se imagina chegando em casa
espancada
E ele apenas a observaria
como algum tipo de desejo
e lamberia as feridas
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segunda-feira, 17 de junho de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Segunda-feira
Tenho tentado ficar sã
E se pudesse me deitar com Jesus ele curaria todas as minhas feridas?
Gozar e desaparecer
Eu rezava um pequeno terço pedindo pra me livrar de todos os meus pecados
e chorava
E todas as pessoas poderiam nunca me machucar?
Seus rostos estão em meus sonhos
Cada uma enfiando uma agulha no meu corpo
E se ele simplesmente me penetrasse?
Se sentiria um deus?
E eu estaria livre do meu orgulho
eu sangraria toda a dor
a dor que todos têm me causado
e a culpa seria minha
só minha
e a responsabilidade também
Lembrei do rosto dele aquele dia
da arrogância
Quem nós erámos? A que lugar nós pertencíamos?
Agora eu fujo pra não lhe ver no rosto de qualquer homem
E se pudesse me deitar com Jesus ele curaria todas as minhas feridas?
Gozar e desaparecer
Eu rezava um pequeno terço pedindo pra me livrar de todos os meus pecados
e chorava
E todas as pessoas poderiam nunca me machucar?
Seus rostos estão em meus sonhos
Cada uma enfiando uma agulha no meu corpo
E se ele simplesmente me penetrasse?
Se sentiria um deus?
E eu estaria livre do meu orgulho
eu sangraria toda a dor
a dor que todos têm me causado
e a culpa seria minha
só minha
e a responsabilidade também
Lembrei do rosto dele aquele dia
da arrogância
Quem nós erámos? A que lugar nós pertencíamos?
Agora eu fujo pra não lhe ver no rosto de qualquer homem
sábado, 7 de julho de 2012
Nunca escrevi um diário, bem já
escrevi algumas coisas, mas a consistência dessas coisas não expressavam
sentimentos, fatos importantes, impressões. Quando lemos um livro que gostamos,
não lembramos de todos os detalhes, das frases ditas pelos personagens, mas é
possível voltar naquelas páginas e encontrar o que nos tocou, o que gostaríamos
de memorizar ou mesmo destacar em um pequeno pedaço de papel. Um diário seria
mais ou menos a mesma coisa, talvez um pouco diferente, só que estaria escrito
fragmentos, idéias, pensamentos que flutuam pelo nosso cérebro para longe, mas
com o tempo estão meio perdidos com tantas responsabilidades, compromissos,
outras emoções. Como iria lembrar daqui a dez anos da sensação de um abraço em
meio ao som dos trilhos do metrô refletindo distância tão literalmente
quanto de forma imaterial, um adeus coincidente, perfeito com a situação; ou a
expressão natural de tristeza das pessoas em um velório em que você brinca ao
redor do caixão sem entender bem o que estava acontecendo, pois tudo ainda era
tão novo e mundo estava tão acima; da saudade, Deus meu, que sensação, o som do
vento, a tonalidade das tardes, o modo como a chuva caía, o formato do sorriso, os
telefonemas, os cafés, encontrar a casa vazia, escutar a voz de alguém especial
quando ainda nem havia acordado, as surpresas, convites, a maresia, cartas,
cartões postais, as ruas, a solidão. Essas coisas pequenas são perpétuas. Muitas vezes tenho a sensação que tudo o que gosto, o que faz parte da minha
identidade, jamais verei de novo, de forma que eu possa dar mais valor as
pessoas. O vazio é tão grande, e você pensa no que fez, no que não fez, e o quanto
isso irá lhe acompanhar pela vida inteira; às vezes isso me sufoca. Se estivesse
conversando com um analista eu diria que o meu maior medo é da perda e da
consciência dela, porque a partir do momento que eu pensasse que eu não poderia
fazer absolutamente mais nada, isso iria me arruinar de tal forma como uma
casa destruída; aqueles blocos sólidos em total desarmonia em que você olha e só
pensa em tirar aquela coisa imperfeita, confusa dali. Vivo em um momento de desconstrução,
talvez meu maior medo não seja da morte e toda essa coisa seja uma forma de
exteriorizar as impressões que possuo; estou submersa em muitas possibilidades
que se misturam a liberdade, vícios de emoções e pensamentos, desde pessimismo,
esperança, desatenção, desejo, desapontamento, falta de interesse, devaneios,
cansaço, cansaço, cansaço, cansaço. Há tantas coisas que me motivam a viver e coisas
que em momentos desatentos me fazem mal,
e isso é tão forte quanto as coisas que podem lhe trazer mais significados. E
esse é o problema, procuro significado desde o pão que compro até na escolha do
meu sabonete, como se alguém estivesse interessado no modo em como eu não
coloco açúcar no café, ou quando eu me sinto absurdamente feliz quando um livro
está escritos coisas que eu sinto, mas daquela forma estranha, difícil de
entender a primeira lida, mas está lá, sensível, pontual, incrível, temos em nossas
almas a mesma impressão, ou enquanto escuto Nina Simone desarmonicamente com
tudo isso.
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Nina Simone
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Assim que fecho os olhos e tomo consciência do meu corpo penso na ausência. A energia que me rodeia inebria, é sutil, plena, entorpece, a ausência também. Meus sentimentos são repletos de dualidades, bebo com carinho seus significados tanto quanto aprecio um bom vinho e suas notas. Carrego em meu peito as horas do passado, as sensações da alma que são atemporais. São apenas delírios que me colocam para dormir. E lá estava novamente cercada pela fumaça dos sonhos, sua forma, sua textura, poderia até sentir seu gosto seco e quente. Mas acontece que sinto a ausência das coisas tangíveis quando fecho meus olhos e quando os abro não há nada lá para olhar. Quando penso na ausência naturalmente associo a pessoas, são extensões de sentimentos, de motivos, das relações. E o que não posso medir? Posso delinear teu corpo, teu rosto, posso segurar as tuas mãos, mas tua essência me transpassa assim como água.
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Sentimentos que se misturam
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Quando chegar não é o suficiente e ter é começar. Não havia nada a dizer que tornasse as situações tangíveis, nem caminho a percorrer que encerrasse os pensamentos cercados de dúvida. O que ficava claro confundia, compreender era perde-se. Retratos são ilusões em seu mundo, a verdade apenas uma porta onde só se passa uma vez. E as emoções se acumulavam, não se dissolviam em lágrimas, transbordavam e se espalhavam por toda a sua consciência.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Aurora
Trim trim trim!O telefone começou a tocar mais não há ninguém para atender.
Ninguém ardentemente feliz ou tragicamente triste, só há uma alma desbotada observando o jardim.
Passeia seus dedos pelos cabelos encaracolados que o vento espalha pelo ar.
Os espirais de seus cachos a levam para um lugar seguro, perdido no tempo e no passado.
Ela era uma menina, uma menina doce e quem sabe satisfeita com os sabores da solidão.
Sorria para o céu...e agora? Todo o azul a rodeava, seus olhos lacrimejavam e seu sorriso desaparecia.
Lembranças.
Moléculas azuis oníricas a bailar entre o vão das páginas amarelas a recordar.
Sorrisos de outrora, lágrimas que hoje persistem, giram delicadamente em caixinhas de músicas onde bailarina não tem par.
Procurando firmemente por momentos de luz, observando as cores da aurora, desvanecendo a cada crepúsculo que não foi admirado.
Seu coração gelado implorando para ser lançado para além dessa dor, no mais alto da montanha para ser apenas uma sombra.
A ânsia é grande, e é para longe, de crepúsculo em crepúsculo que trilhará sua verdade e desvendará os mistérios da carne.
"Faça nascer o sol em mim".
Ninguém ardentemente feliz ou tragicamente triste, só há uma alma desbotada observando o jardim.
Passeia seus dedos pelos cabelos encaracolados que o vento espalha pelo ar.
Os espirais de seus cachos a levam para um lugar seguro, perdido no tempo e no passado.
Ela era uma menina, uma menina doce e quem sabe satisfeita com os sabores da solidão.
Sorria para o céu...e agora? Todo o azul a rodeava, seus olhos lacrimejavam e seu sorriso desaparecia.
Lembranças.
Moléculas azuis oníricas a bailar entre o vão das páginas amarelas a recordar.
Sorrisos de outrora, lágrimas que hoje persistem, giram delicadamente em caixinhas de músicas onde bailarina não tem par.
Procurando firmemente por momentos de luz, observando as cores da aurora, desvanecendo a cada crepúsculo que não foi admirado.
Seu coração gelado implorando para ser lançado para além dessa dor, no mais alto da montanha para ser apenas uma sombra.
A ânsia é grande, e é para longe, de crepúsculo em crepúsculo que trilhará sua verdade e desvendará os mistérios da carne.
"Faça nascer o sol em mim".
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Morangos azedos e tango
Como uma dança, um parceiro amargo e um tango matematicamente calculado.Os dias passam como uma milonga triste, aos ventos gelados, espalhando acre sensabor.
E a fumaça aos céus, nublando os bons ares, de uma queima sem fogo.
Uma lágrima pela arte, á qual se esconde no cotidiano, que a vida faz questão de passar em preto e branco.E o choro vem depois, inesperado, ardente e cansado.De um dia após outro.
Romances do século XVIII, tangos de Piazzolla, ballets de Tchaikovsky, Passos de Isadora Duncan, expressão de Graham, gritos de Björk, livros de Kafka, cello e piano...e toda uma história dentro de um só.Talvez sirva de inspiração, ou pinte o dia com vermelho profundo.
O tempo ao nascer do sol impregna febre em um cérebro atormentado por devaneios e realidade.
Divagando, tropeçando em palavras, teoricamente sem regras, indigno de aplausos, admiração ou mesmo ódio.
Claro ou escuro, serei sempre suscetível a mim mesmo.
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