quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Que saudade, que aperto no peito.Por que vens e somes?Te esquecerei, e então, tudo estará perdido.Como os sussurros que não escuto, mas pronuncias.Este jogo de segredos e dúvidas está me cansado, fixando limites para as minhas esperanças.Repetirei os mesmos os erros, não ouvirei os teus sinais, mas sei que estarás presente no momento ou no sonho certo.
sábado, 4 de outubro de 2008
Sussurro
em algum lugar
das ruas estreitas
dos corredores dos ônibus
num jardim
repleto de ervas daninhas
na chuva que cai no rubro guarda-chuva
estão as confissões rarefeitas
cheias de sabor
aromas e folhas
quem sabe uma cicatriz na árvore
jogos e diabruras
a meninice nos olhos
as palavras doces nos lábios
quentes e macios
banhado pelas lágrimas
era segredo
apenas o que se sente sabe
talvez, um sonho
uma tolice
como um sorriso de uma criança
das ruas estreitas
dos corredores dos ônibus
num jardim
repleto de ervas daninhas
na chuva que cai no rubro guarda-chuva
estão as confissões rarefeitas
cheias de sabor
aromas e folhas
quem sabe uma cicatriz na árvore
jogos e diabruras
a meninice nos olhos
as palavras doces nos lábios
quentes e macios
banhado pelas lágrimas
era segredo
apenas o que se sente sabe
talvez, um sonho
uma tolice
como um sorriso de uma criança
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Os dois estão convencidos de
que foi um sentimento súbito o que os juntou.
É bela uma certeza como essa,
Mas é mais bela a incerteza.
Acham que por não se terem conhecido antes
nunca houve nada entre eles.
E o que diriam as ruas, escadas, corredores,
Onde há muito podiam se cruzar?
Queria perguntar-lhes
Se não se lembram -
Na porta giratória talvez
Um dia cara a cara?
Em meio à multidão um 'com licença'?
No telefone a voz - engano?
- mas conheço sua resposta.
Não, não se lembram.
Ficariam surpreendidos de saber
Que já faz tempo
O acaso brincava com eles.
Não preparado ainda
a transformar-se para eles num destino,
aproximava-se e os afastava,
cortava-lhes o caminho
e, abafando a gargalhada,
saltava para o lado.
Houve sinais, signos, só que ilegíveis.
Talvez há três anos atrás
ou na terça-feira passada
certa folha voou
de um ombro para o outro?
Houve algo perdido e recolhido
Quem sabe, uma bola
já no bosque da infância.
Houve maçanetas e campainhas,
em que antes
já o toque se punha no toque.
As malas lado a lado no depósito de bagagem.
Talvez, numa certa noite, o mesmo sonho
Apagado imediatamente depois de acordar.
Pois cada princípio
é apenas uma continuação,
e o livro de eventos
sempre aberto no meio.
Wisława Szymborska
que foi um sentimento súbito o que os juntou.
É bela uma certeza como essa,
Mas é mais bela a incerteza.
Acham que por não se terem conhecido antes
nunca houve nada entre eles.
E o que diriam as ruas, escadas, corredores,
Onde há muito podiam se cruzar?
Queria perguntar-lhes
Se não se lembram -
Na porta giratória talvez
Um dia cara a cara?
Em meio à multidão um 'com licença'?
No telefone a voz - engano?
- mas conheço sua resposta.
Não, não se lembram.
Ficariam surpreendidos de saber
Que já faz tempo
O acaso brincava com eles.
Não preparado ainda
a transformar-se para eles num destino,
aproximava-se e os afastava,
cortava-lhes o caminho
e, abafando a gargalhada,
saltava para o lado.
Houve sinais, signos, só que ilegíveis.
Talvez há três anos atrás
ou na terça-feira passada
certa folha voou
de um ombro para o outro?
Houve algo perdido e recolhido
Quem sabe, uma bola
já no bosque da infância.
Houve maçanetas e campainhas,
em que antes
já o toque se punha no toque.
As malas lado a lado no depósito de bagagem.
Talvez, numa certa noite, o mesmo sonho
Apagado imediatamente depois de acordar.
Pois cada princípio
é apenas uma continuação,
e o livro de eventos
sempre aberto no meio.
Wisława Szymborska
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Poente
Pedra sobre pedra
Peso sobre peso
Singelo
Então você vê tudo você
partículas plurais de uma existência
Até o mal gosto
A má sorte
o desbotado
abandonado
como algo que não faz mais parte da moda
entre quatro paredes
as marteladas
as lágrimas
o sal também dói
a consciência do que é mesmo
de quem é você mesmo
de que tudo isso não passa de um sonho
o sonho que se sonha e o que se vive
e qual a diferença?
Peso sobre peso
Singelo
Então você vê tudo você
partículas plurais de uma existência
Até o mal gosto
A má sorte
o desbotado
abandonado
como algo que não faz mais parte da moda
entre quatro paredes
as marteladas
as lágrimas
o sal também dói
a consciência do que é mesmo
de quem é você mesmo
de que tudo isso não passa de um sonho
o sonho que se sonha e o que se vive
e qual a diferença?
domingo, 31 de agosto de 2008
Possibly Maybe
Tentei fugir,mas quando me dei conta eu já era outro alguém, e tanto que eu tentei impedir...eu queria, apenas queria e não acreditava. Não era sonho, não era realidade, eram as minhas entranhas no sonho de alguém...apavorado, eu estava tão apavorado, pensando que estava certo, mas não estava e nunca estive. "Talvez”, ele repetia pra si mesmo, com aquela mesma maneira hesitante de sempre; sim ele procurava e eu apenas observava. Ele era um pássaro errante procurando abrigo em meu desatino.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Álvaro de Campos
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Álvaro de Campos
domingo, 24 de agosto de 2008
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