segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Sutiã
Dormi com a tua respiração no meu pescoço. Tão leve quanto teu sono, um homem de palavras pesadas. Não queria acordar ao teu lado, passar mais uma alvorada com seu humor cortante, flutuar sobre a navalha. E mesmo assim quero viver sobre a tua sombra do que adormecer com meus meros devaneios.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Queimação no esôfago
tic.tac.boom.
como explicar?
como perguntar?
como suportar?
como entender?
como segurar?
como não chorar?
como não explodir?
como não gritar?
como não suicidar?
Mais um dia
e minha paciência está queimando no esôfago.
como explicar?
como perguntar?
como suportar?
como entender?
como segurar?
como não chorar?
como não explodir?
como não gritar?
como não suicidar?
Mais um dia
e minha paciência está queimando no esôfago.
sábado, 12 de setembro de 2009
Nell'Aria Bruna
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Devora I
Daniel olhou-a pela primeira vez; não, não foi amor à primeira vista, foi cegueira. O seu manto carmesim trouxe-lhe lembranças: talvez adormeceu algum dia nos braços dela, talvez há três séculos atrás, milênios, ou era apenas o desejo? Sentia sua pele estremecer ao encontro com a mão dela, como se as linhas da própria lhe mostrassem o destino, ou quem sabe estava marcado em seu palmo a maldição que os afastava, o caminho que os unia e a rua que os separava.
A sombra da solidão era sua morada. Sim, tivera muitas mulheres, mas ansiava pela que nunca teria...ansiava seus olhos negros, sua boca indecisa, seus cabelos quando ficavam vermelhos ao sol.
Se ele a amava? Ah, sim o amor! O que seria o amor para eles? Toque, palavras, alguns gestos?
Daniel diria que estava preso em um tempo sem horas, agarrado aquele dia em que a neve se misturava ao sangue, ou o contrário?, quando beijava os lábios que ainda estavam quentes e vermelhos da mulher do manto carmesim que tarde demais descobriu que amava. Mas a visão desaparecera, ao despertar do transe, olhou- a novamente, mais parecia uma criança bem crescida, mas tinha olhos ferozes e o sorriso encantador...então tudo ficou claro. Quando ele iria chamá-la pelo seu nome verdadeiro, as brumas a envolveram enquanto caminhava para o nunca.
A sombra da solidão era sua morada. Sim, tivera muitas mulheres, mas ansiava pela que nunca teria...ansiava seus olhos negros, sua boca indecisa, seus cabelos quando ficavam vermelhos ao sol.
Se ele a amava? Ah, sim o amor! O que seria o amor para eles? Toque, palavras, alguns gestos?
Daniel diria que estava preso em um tempo sem horas, agarrado aquele dia em que a neve se misturava ao sangue, ou o contrário?, quando beijava os lábios que ainda estavam quentes e vermelhos da mulher do manto carmesim que tarde demais descobriu que amava. Mas a visão desaparecera, ao despertar do transe, olhou- a novamente, mais parecia uma criança bem crescida, mas tinha olhos ferozes e o sorriso encantador...então tudo ficou claro. Quando ele iria chamá-la pelo seu nome verdadeiro, as brumas a envolveram enquanto caminhava para o nunca.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Estava nua em um canto qualquer, frágil e desprotegida, ferida por tanta indiferença e covardia.
Sentia seu coração pulsando firme e pausado, em um breve espaço de silêncio que doía.
Era só silêncio, sempre a falta.Enquanto queria escândalos, gritaria, arranhões, promessas, ilusão, mordidas, mentiras...mas é sempre silêncio.
Sentia seu coração pulsando firme e pausado, em um breve espaço de silêncio que doía.
Era só silêncio, sempre a falta.Enquanto queria escândalos, gritaria, arranhões, promessas, ilusão, mordidas, mentiras...mas é sempre silêncio.
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