sábado, 25 de dezembro de 2010

Eu consigo sentir
tudo se perder
nesse cenário
nesse cenário deslumbrante

O pôr-do-sol atrás das nuvens
cada gota de chuva
lembranças e maresia

Meus sonhos na palma da mão
um sopro
em direção ao infinito.

domingo, 19 de dezembro de 2010

E aí quais são seus planos?

Fotografar o fundo do oceano;
Mergulhar em alguma praia no inverno;
Aprender élfico;
Nadar nua;
Sussurrar coisas indecentes em francês;
Pilotar um avião;
Dar uma de mochileira pela América do Sul;
Dançar tango depois de uma briga amorosa;
Morar na Irlanda por uma semana;
Meditar com monges budistas na China;
Amar intensamente, e sentir isso até os ossos (plágio);
Esquiar;
Pintar o cabelo de azul;
Ser especialista na cultura celta;
Restaurar uma escultura, pintura, catedral, etc;
Escrever um livro;
Saltar de pára-quedas;
Comprar o escarpin amarelo que nunca tive coragem;
Viver um romance na Itália;
Reconhecer constelações,
Me embriagar e fazer amor;
Saber usar um mapa;
Ficar encharcada de chuva sabendo que alguém que eu ame me espera em casa
para secar meus cabelos;
Passar a noite sob as estrelas;
Morar em uma região montanhosa;
Desenhar mapas da Terra-Média;
Tocar piano de frente pro mar.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Porque demorei tanto tempo pra descobrir que queria ficar sozinha abraçada a minhas pernas enquanto minha cabeça derrete?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Ensaio para fazer haikais

Dia de ano novo
Oferenda pra Iemanjá
Proteção pra quem já se foi.

Para se ter alegria
-Basta escutar a manhã-
No canto dos pássaros

Farfalha borboleta ligeira
sobre a louça chinesa
Repousa teu peso de cristal

Sobre as águas
deixa as ondas levarem tua mensagem - sem destino
pois tudo é efêmero


terça-feira, 30 de novembro de 2010

De tanto escrever
borrei os dedos.
Caí no esquecimento.
Só lembro do tempo em que
o Aroma do vento se misturava
a pó e cimento.

sábado, 27 de novembro de 2010

Pro meu coração: chega de saudade.

Pro meu corpo: chega de falta.

Pra minha alma: chega de sonhar.

Não vale a pena ficar chorando e resmungando pelos cantos. Quanto tempo se passou desde que parei de pensar? Quanto tempo se passou desde que esqueci de amar? Que o meu coração covarde começou a se machucar a cada passo não dado.
Lembro dos dias silenciosos em que queria gritar de qualquer modo o que estava sentindo, mas eu tinha um medo, de me perder por entre os meus devaneios. Sim, sempre tive medo do ridículo, do sentimento exagerado e superficial que saía de muitas bocas. Dos "eu te amo" sem amor, do convencionalismo bobo que é se apaixonar. Preferia ficar com o meu amor barato, tipicamente platônico, onde o que eu desejava acontecia. Por medo. Somente medo. Porque sempre quero mais, quero o mais intenso. Quero a verdade, mesmo que seja inventada.
Lembro que guardei e guardo isso tudo pra mim. Que me perdi na música, na dança, na literatura, nas cores. Minha compania eterna, a quem sempre me entreguei com interesse, com amor. Mas depois o que resta? Disfarçar frustação com arte, sempre foi uma boa estratégia, mas e agora que as responsabilidades me afastaram de tudo isso? Não é a toa que sou inconstante, que não me apego a realidade, que não paro em um emprego.
Não quero me desculpar pelos meus atos falhos. Acho que toda essa revolução que faço diariamente dentro de mim muito me serviu pra crescer, pra fortalecer meu espírito. Sim, vou continuar sempre a filosofar sem me chatear com isso, de falar de assuntos sérios sem se preocupar se isso encomoda o outro. De analisar, analisar e analisar o comportamento humano. Se me foi dado a sensibilidade de me ocupar com esse tipo de coisa, começo agora a aceitar isso. Cansei de tentar ser alguém agradável. Cansei de explicar o pouco que consigo pronunciar.
Vou continuar sendo essa hippie louca que não sai do armário. Que acredita que a estrada com seus perigos, as pessoas com suas histórias, são a representação do que é viver um pouco da verdade.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
Fernando Pessoa