quarta-feira, 20 de novembro de 2013

I could just pretend that you love me
The night would lose all sense of fear
but why do I need you to love me
when you can't hold what I hold dear...




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cerrar los Ojos

Cerremos estes ojos para entrar al misterio
el que acude con gozos y desdichas
así / en esta noche provocada
crearemos por fin nuestras proprias estrellas
y nuestra hermosa colección de sueños
el pobre mundo seguirá rodando
lejos de nuestros párpados caídos
habrá hurtos abusos fechorías
o sea el espantoso ritmo de las cosas
allá en la calle seguirán los mismos
escaparates de las tentaciones
ah pero nuestros ojos tapados piensan sienten
lo que no pensaron ni sientiron antes
si pasado mañana los abrimos
el corazón acaso de encabrite
así hasta que los párpados
se nos caigan de nuevo
y volvamos al pacto de lo oscuro

Mario Benedetti

segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Não sei se há mais maneiras de se ter esperança que a paciência, talvez o esquecimento. Tenho dito pra mim mesma que o otimista só sofre uma vez. Mas hoje eu lembrei de muita coisa e tive vontade de desistir. Paciência ou esquecimento podem resolver esse caso. 


 Laguna - SC



quarta-feira, 23 de outubro de 2013




"(...) convencida, como eu também o estava, de que um encontro casual era o menos casual em nossas vidas e de que as pessoas que marcam encontros exatos são as mesmas que precisam de papel com linhas para escrever ou aquelas que começam a apertar pela parte de baixo o tubo de pasta dentifrícia."

(O jogo da Amarelinha, Julio Cortázar: Capítulo I. 6 ed. Civilização Brasileira)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Há esperas que nunca se aprendem. Mesmo sob o dilúvio, continuaremos aguardando a chuva. É de outra água que esperamos."

(Mia Couto in: Venenos de Deus, remédios do Diabo. Companhia das Letras, 2008. p.140)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013


Até então tudo havia sido um vago anúncio, Alana na música, Alana frente a Rembrandt. Mas agora minha esperança começava a cumprir-se quase insuportavelmente; desde nossa chegada Alana se havia entregado às pinturas com uma atroz inocência de camaleão, passando de um estado a outro sem saber que um espectador escondido espreitava sua atitude, a inclinação de sua cabeça, o movimento de suas mãos ou seus lábios, o cromatismo interior que lhe percorria até mostrá-la outra, ali onde a outra era sempre Alana somando-se a Alana, as cartas aglomerando-se até completar o baralho. A seu lado, avançando pouco a pouco ao longo dos muros da galeria, eu a ia vendo entregar-se a cada pintura, meus olhos multiplicavam um triângulo fulminante que se estendia dela ao quadro e do quadro a mim mesmo para voltar a ela e empreender a mudança, a auréola diferente que a envolvia um momento para ceder depois a uma aura nova, a uma tonalidade que a expunha à verdadeira, à última nudez. Impossível prever até onde se repetiria essa osmose, quantas Alanas me levariam por fim à síntese da qual sairíamos os dois cheios, ela sem sabê-lo e acendendo um novo cigarro antes de pedir-me que a levasse para tomar um trago, eu sabendo que minha longa busca havia chegado a um porto e que meu amor abarcaria a partir de agora o visível e o invisível, aceitaria o limpo olhar de Alana sem incertezas acerca de portas fechadas, de paisagens proibidas.

Orientación de los Gatos - Júlio Cortázar

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ando meio desligada dos sinais que a vida sutilmente costuma dar, mas ontem mesmo distraída vi você num lapso de segundo, apesar de muito rápido tantas coisas me vieram à mente.

E faz tanto tempo que eu me comportei como uma idiota. Homens, minha capacidade de entendê-los é tão limitada, sou disléxica nesse ramo.

E não, não foi um estado agudo de felicidade como provavelmente pensaria Clarice Lispector. Foi como um remédio amargo que você precisa tomar pra cura, mesmo depois que você não sente mais o gosto, a sensação ruim fica lá pra sempre.


Essa música não é pra você.