Tenho tentado ficar sã
E se pudesse me deitar com Jesus ele curaria todas as minhas feridas?
Gozar e desaparecer
Eu rezava um pequeno terço pedindo pra me livrar de todos os meus pecados
e chorava
E todas as pessoas poderiam nunca me machucar?
Seus rostos estão em meus sonhos
Cada uma enfiando uma agulha no meu corpo
E se ele simplesmente me penetrasse?
Se sentiria um deus?
E eu estaria livre do meu orgulho
eu sangraria toda a dor
a dor que todos têm me causado
e a culpa seria minha
só minha
e a responsabilidade também
Lembrei do rosto dele aquele dia
da arrogância
Quem nós erámos? A que lugar nós pertencíamos?
Agora eu fujo pra não lhe ver no rosto de qualquer homem
segunda-feira, 10 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Coisas tênues
Qual a diferença entre o bem e o mal? Será realmente um contraste? Tem muita gente que de tão boa faz mal. Contei até dez para não explodir, mas não adiantou, falta de educação e mimimi me irritam. Grande parte de discussões que acabam em ninharias eu sempre termino com agressividade, uso minha voz mais grave em tom militar e encerro. É sim ou não, não tem "mas". Isso eu aplico em crianças. Seria muito bom usar tal artimanha em adultos, mas eu não consigo. Hoje pela manhã ao dar um bom dia pra uma funcionária e receber um "errr" eu gostaria de ter gritado, mas fui tomada pelo impulso de tratá-la muito bem, como se ela fosse uma pessoa muito importante pra mim. E isso tem adiantado, as coisas até melhoraram, enquanto outras pessoas eu não posso nem ouvir a voz que já associo a coisas negativas, também procurei tratar-lhes bem, e o resultado foi ruim, muito ruim. Dou um bom dia forçado, evito olhar as faces, evito dirigir a palavra.
E todas essas coisas acontecendo e eu tão dentro de mim, em um processo mental intenso. Disfarço realidade com Eduardo Galeano, minha frustação com a vida acadêmica com Martin Heidegger e escuto Chico Buarque fingindo que não me significa nada, só acho tudo lindo. É engraçado, fiquei inteligente evitando pessoas. Conheço muita coisa, mas não sei lidar muito bem com sentimentos. Meu coração não aguenta fortes emoções, já passou por uns bucados, já chorei muitas mágoas. Hoje choro ao ver um filme, ao ver um mendigo, ao ler algo profundo, ao lembrar de alguém. Choro muito e não escondo. Tenho chorado uma vida inteira que estendi a partir de um dia.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Tenho passado os dias a navegar
Como se estivesse em um grande barco
Ilhada
e as coisas flutuando ao meu redor
Perdi meus sentidos por esses tempos
Descansei na beira de uma praia que imaginei
Meu corpo sendo aquecido pelo sol
e no meu cabelo sal
A areia me escorre pelas mãos
assim como todas as coisas que pensei que eu poderia pertencer
terça-feira, 7 de maio de 2013
Amor e Morte, a dança do tempo
Amor pleno de vida, desejo, carregado de significados e toques de ternura silenciosa. Morte, fim, silêncio perpétuo e lágrimas. Amor e morte possuem a mesma essência e só podem acontecer agora. É a dança do tempo que não pode parar, a brisa dos dias, a interrogação em nossos olhos.
Costumo sonhar bastante e lembro de tantos detalhes, e em meus sonhos é como se eu tivesse vendo o mundo pela primeira vez. Não compreendo os seus significados, apesar de sentir coisas que não seria capaz de explicar, mas há um entendimento anímico, alguma coisa de pele. E nesse meio tem mais de morte do que amor. Coisas que não querem ser apagadas pelo tempo e estão impressas em cada marca do meu corpo. Mas o amor é rarefeito, ninguém pode detê-lo em si, e isso o torna mais estranho e o mesmo tempo híbrido com a morte.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Tem momentos que são tão intensos que te faz relembrar coisas que já passaram e por algum motivo insistem em ficar no presente. Lembro da primeira vez que vi essa pessoa e imaginei que iríamos ficar juntos de qualquer maneira, e agora é uma espécie de amor do passado que me assombra. Tenho vivido os meus dias cansados e cheios de perspectivas, não diria que é início de uma depressão já que me sinto muito sozinha mesmo ao lado de pessoas queridas. Sinto que me perdi, e estranhamente aquela conexão que me fazia feliz em admirar o outro e pensar que ele poderia me compreender e eu compreendê-lo sumiu. Será uma espécie de amadurecimento tentar ver as coisas como elas são? Ou ficar desanimada ao pensar que as coisas são como são e interpretar errado abandonando tudo que me parece enganar. Sei que sou chegada a detalhes e muito insatisfeita comigo mesma, exijo de mim o melhor e gostaria de oferecer aos outros, mas me vejo tímida ou às vezes sarcástica. Tenho pensado na dualidade da mente, sim e não, gosto e não gosto; olhar as coisas com mais clareza, pensar além. Essa noite que passou pedi para que meus pensamentos cessassem, pensei em evitar qualquer coisa que me desse mais pensamentos, e isso incluindo facebook, os inúmeros blogs que leio, a folha de São Paulo, e todas as coisas que considero interessante. Cheguei a conclusão que preciso de uma espécie que limpeza espiritual, um distanciamento das coisas, como umas férias prolongadas em alguma região com montanhas e frio. Talvez esse desejo venha dos livros da Rosamunde Pilcher, mas sabe-se lá se sempre esteve aqui comigo. E o mais engraçado da vida, é que quando começo nesse estado reflexivo e um pouco desanimador tenho que admitir que coisas incríveis acontecem, como se alguém estivesse do meu lado, não deste mundo, desta forma que somos, mas está me apoiando nos momentos difíceis. Quando olho para as pessoas parece que sinto o que se passa, não como realmente é, mas em forma de energia, que pode fazer bem ou não. E tem pessoas que merecem um pouco de atenção, mas são como água, toda a aproximação transpassa-me. Sinto falta de muita coisa, me sinto muito mal a saber de suicídios, leio livros pela metade, gosto de ficar sozinha em alguns momentos, descobri que é uma necessidade, tento não me apegar as pessoas pra não sofrer, sempre procuro deixá-las livres e sofro em silêncio, mas falo coisas demais. Todo ano que se passa é uma desconstrução, quando o meu desejo é apenas meditar e silenciar a mente como oração, uma prece ao tempo.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O relógio da cozinha batia na escuridão
ecoava na extensão do cômodo
ausente da figura humana
O quarto projetava formas da janela
sombras monstruosas na parede
A respiração ao lado
os sonhos do outro
inacessível
O ar frio que entrava pela porta da sacada
balançando o filtro de sonhos
O som de rádio que vinha do quarto
com um jazz nostálgico
pedia um vinho
A lembrança de uma tarde de outono
a correria lá fora
a paz dentro
Escrever escutando Björk
pensando na insanidade
naquela parte surreal necessária
ao espírito
Pesadelos
pulsos rápidos
corpo?
E esse medo
da vida
e sua impermanência
terça-feira, 2 de abril de 2013
Domingo de Páscoa
Stella sentia o sol da tarde entrar pela janela do seu quarto novo. Costumava ler na cama e se deliciar nas tardes solitárias que ainda conseguia ter através de uma boa leitura. Estava lendo Marnie de Winston Graham e surpreendeu-se ao se identificar com a personagem principal, uma ladra. Marnie era uma mulher de 23 anos ou melhor uma mocinha, que mantinha um estilo de vida solitário e planejava seus roubos de maneira muito inteligente, além desse estranho fato tinha horror a sexo e não suportava que homem nenhum lhe tocasse. Com o desenrolar da história coisas bem interessantes vão ocorrendo na vida de Marnie que mantinha uma duplicidade em sua personalidade, alterando seu nome em cada emprego que arranjava. Mas o que realmente chamou a atenção de Stella nessa história era a capacidade de Marnie trocar de nomes e penteados sem nenhuma problema em deixá-los, ela executava seus roubos com uma personalidade falsa e depois fugia para longe sem deixar vestígios. Uma vida bem perigosa pensava Stella, mas no que poderia se identificar? Na solidão de Marnie? Talvez, se tratando de uma ladra, Marnie não poderia se envolver com muitas pessoas. E que tipo de roubo Stella poderia ter cometido, se sentia também uma ladra? Na verdade Stella se sentia parte de uma geração perdida, que não acreditava no mundo e nem nas pessoas. O que tinha para oferecer era amor, mas estava corrompida como ela mesma dizia, ou melhor, enlatava que nem sardinha no seu negativismo. Mas todo sentimento tem um começo, um ponto de partida, uma lembrança acentuada em algum momento durante toda a vida.
Não se pode dizer que Stella não tinha atributos ou que era uma fracassada, apenas de desligava do mundo e essa característica era seu escape. Acreditava que estava exatamente da mesma maneira quando era criança só com algumas pequenas alterações de comportamento. Sendo desconectada das coisas matou alguns animais enquanto brincava com eles, furtou algumas bolinhas de gude na frente da escola e um cartão de visitas em uma loja de chocolates (aí talvez tenha um pouco de Marnie), fugia da casa da sua vó sempre que podia e isso explicava a quantidade de cadeados nos portões, e o que mais se lembrava na infância eram as pequenas esculturas de vidro que tinha sobre a mesinha da sala na casa da sua vizinha, como era delicioso brincar com elas, e isso resumia tudo, pois esse tipo de escultura era só pra enfeite, como poderia uma criança brincar com elas? Seria o mesmo que brincar com fogo ou algo imoral. As consequências a deixaria quebrada.
Havia algo incompreensível em toda essa história, difícil de captar. Todas as meninas, por mais que sejam mulheres guardam coisas sem uma descrição clara, coisas que são traduzidas no modo como se vestem, como amam. As meninas-mulheres se descobrem de dentro para fora em busca de algo mais sedutor em seu caminho. As mulheres-meninas gostam da intensidade e caminham de fora para dentro. Stella ao ler uma descrição dessas iria rir com sarcasmo claro, pois era a forma de não demonstrar a insegurança da sua personalidade. Diria que não se encaixaria em nenhuma das duas definições e que as pessoas não podem ser enquadradas de maneira alguma. Para ela se todo mundo tem algo singular anula todas as outras características que as padronizam e consequentemente ela acreditava que todos eram muito diferentes, e que as formas de socialização serviam só para isso mesmo, socializar, e que no fundo os "eus" verdadeiros deviam ser como pinturas de Pollock.
Definição sobre as pinturas de Jackson Pollock por Stella que não gostava de definir as pessoas, mas as pinturas, Ok: "Uma tranquilidade absolutamente oculta mas intensamente representada. Um luta entre o que é falso e verdadeiro, uma oposição de sentimentos, uma angústia por trás da alegria. Liberdade e muitas possibilidades de se transformar em qualquer coisa, desse mundo ou de qualquer outro. Estreitamente espiritual, anímico, num tom nada encantador, mas em que as palavras se acumulam na língua."
E assim se passava os domingos de páscoa: em devaneios.
Não se pode dizer que Stella não tinha atributos ou que era uma fracassada, apenas de desligava do mundo e essa característica era seu escape. Acreditava que estava exatamente da mesma maneira quando era criança só com algumas pequenas alterações de comportamento. Sendo desconectada das coisas matou alguns animais enquanto brincava com eles, furtou algumas bolinhas de gude na frente da escola e um cartão de visitas em uma loja de chocolates (aí talvez tenha um pouco de Marnie), fugia da casa da sua vó sempre que podia e isso explicava a quantidade de cadeados nos portões, e o que mais se lembrava na infância eram as pequenas esculturas de vidro que tinha sobre a mesinha da sala na casa da sua vizinha, como era delicioso brincar com elas, e isso resumia tudo, pois esse tipo de escultura era só pra enfeite, como poderia uma criança brincar com elas? Seria o mesmo que brincar com fogo ou algo imoral. As consequências a deixaria quebrada.
Havia algo incompreensível em toda essa história, difícil de captar. Todas as meninas, por mais que sejam mulheres guardam coisas sem uma descrição clara, coisas que são traduzidas no modo como se vestem, como amam. As meninas-mulheres se descobrem de dentro para fora em busca de algo mais sedutor em seu caminho. As mulheres-meninas gostam da intensidade e caminham de fora para dentro. Stella ao ler uma descrição dessas iria rir com sarcasmo claro, pois era a forma de não demonstrar a insegurança da sua personalidade. Diria que não se encaixaria em nenhuma das duas definições e que as pessoas não podem ser enquadradas de maneira alguma. Para ela se todo mundo tem algo singular anula todas as outras características que as padronizam e consequentemente ela acreditava que todos eram muito diferentes, e que as formas de socialização serviam só para isso mesmo, socializar, e que no fundo os "eus" verdadeiros deviam ser como pinturas de Pollock.
Definição sobre as pinturas de Jackson Pollock por Stella que não gostava de definir as pessoas, mas as pinturas, Ok: "Uma tranquilidade absolutamente oculta mas intensamente representada. Um luta entre o que é falso e verdadeiro, uma oposição de sentimentos, uma angústia por trás da alegria. Liberdade e muitas possibilidades de se transformar em qualquer coisa, desse mundo ou de qualquer outro. Estreitamente espiritual, anímico, num tom nada encantador, mas em que as palavras se acumulam na língua."
E assim se passava os domingos de páscoa: em devaneios.
Assinar:
Postagens (Atom)

